terça-feira, 7 de junho de 2011

BEM FEITO! QUEM MANDOU BOTAR SEU FILHO AQUI?


IMAGENS GOOGLE










Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e a dos anjos,
se eu não tivesse a caridade,
seria como bronze que soa ou
como címbalo que tine...
São Paulo

Era mais ou menos isto que queria dizer a nota (aos pais), publicada pelo Colégio São Bento. A Igreja Católica da América Católica é uma das poucas instituições que insiste na prática de seus crimes, seus pequenos delitos, vomitando suas incoerências, certa de que a figura do perdão foi criada para uso daqueles que dela necessitam. Somente assim podemos compreender como depois de tantos pedidos internacionais de desculpas, alguém ou alguma instituição possa manter a sua prepotência em alta, como faz a Igreja Católica e suas derivações.

Quem lê a nota do Colégio São Bento e não conhece a história da Igreja deve pensar: esses padres são bons mesmos! Já no início se valem do belo poema, supostamente escrito por São Paulo (trecho em epígrafe) com o propósito de atenuar as dores de muitos causadas pela eterna omissão. E vejam bem! Não escrevo torcendo para que alguém abra mão de suas crenças. Sou filho de família cristã, passei toda a minha infância na Igreja e acho mesmo que dogma religioso não se discute.

No entanto devo também dizer que, de alguma forma, a humanidade precisa acordar e, como fiéis atentos, evitar que a Igreja continue a cometer os seus erros, sem que sejamos firmes nas críticas. Firmes na construção de novos caminhos, para uma entidade religiosa que poderia fazer um pouco mais pelo bem da humanidade.

A nota do colégio divulgada para atenuar o seu desleixo para com as relações intra-colegiais, utiliza um parágrafo para se solidarizar com a dor dos pais do menino agredido e, afora pequenos outros relatos a guisa de confissão de culpa, o resto da carta parece dizer claramente: o São Bento é um colégio confessional. Quem botou seu filho aqui leu o estatuto. Quem não estiver satisfeito, que procure outro colégio. São minhas essas palavras, mas confesso que não consegui entender outra coisa ao ler aquele arrazoado de prepotências.

Para quem não conhece o São Bento, é interessante uma leitura sobre o seu contexto geográfico (o histórico está na nota que circula na WEB). O magnífico colégio, por onde passaram as mais importantes cabeças pensantes para o bem e quase sempre para o mal deste país, fica na Praça Mauá, bem em frente à famosa zona de prostituição que se notabilizou no século XX e que hoje, apesar de bastante reduzida, ainda faz a alegria daqueles que se iniciam (sem precisar tornar público) na sua vida sexual. A dos pobres era na rua Pinto de Azevedo, a dos que tinham algum dinheiro, era mesmo nas boites da lasveguiana e empobrecida vida noturna do Pier Mauá.

Hoje, um imenso prédio espelhado atrapalha o encontro dos olhares dos meninos com as prostitutas de olhos roxos que cambaleiam pelas manhãs depois das noites insones, mas no passado, um prédio construído no século XIX, com jeito de castelo das bruxas, permitia a vista erótica para o deleite da filharada da pequena burguesia carioca e fluminense.

Essas são as recordações de minha adolescência e juventude, parte delas como observador participativo. Quantas vezes saíamos dos inferninhos, quando a rapaziada santificada chegava para as primeiras aulas do dia? Via aquilo com certa inveja, mas no mesmo momento, como gatos andarilhos, comemorava a liberdade de, em plena ditadura, poder estar circulando pelos espaços sujos e excitantes da Praça Mauá.

Mais tarde, tomei conhecimento de algumas outras peculiaridades do São Bento, a principal delas dizia que ali não havia vagas para moças. Às gargalhadas comemorava não ter estudado em coisa tão entediante. Imaginem o que é passar o período mais gostoso de sua vida, em tempo integral, sem uma mulher por perto. Delirava, ao lembrar-me de Elisângela, a bela de olhos verdes que estudava no meu jardim de infância suburbano e que aos seis anos de idade morríamos de paixão e de ciúmes. Minha Nossa Senhora, como imaginar que toneladas de hormônios masculinos pudessem ficar por tanto tempo represados, as adrenalinas, as meninas e todas as outras coisas femininas que fazem da nossa infância/adolescência o mais interessante período de nossas individualidades. Ninguém é feliz sem ter sido feliz neste sublime momento de nossas vidas!

Sobre o caso das agressões que motivou a nota do São Bento, a revista Veja da semana que fechou em 4 de maio, trouxe alguns depoimentos de ilustres que passaram pelo colégio. Quase todos trazem boas recordações, mas relatam as brincadeiras perversas que já existiam em meados do século passado. Ora, o que fazer com tantos homens juntos, às portas da maturidade sexual, às portas de seus primeiros desejos e sem o lado feminino para o exercício do olhar faminto? É possível que as rasteiras nos mais fracos, fazer com que os pequeninos comessem papel, os cascudos e as passagens de mão nos órgãos genitais, fossem utilizados como uma saída para atenuar as dores causadas por proposta tão arcaica. Também não sei se existem outros colégios que não admitem meninas, mas saibam os pais que colocam seus filhos em colégios com essas restrições, que estão dando aos seus queridos rebentos o pior presente de sua vida. É possível também que este seja o único ponto causador de inveja, nos alunos do São Bento, dos meninos e meninas das escolas públicas saindo agarrados e aos beijos, comemorando a felicidade de poderem estudar juntos. As crianças não têm nada a ver com o celibato dos padres.

Mantêm-se o Colégio São Bento como uma ilha de excelência intocável em seus princípios, inclusive naquilo que diz respeito ao cumprimento das leis. É como se toda a discussão a respeito do Bullying servisse apenas para as escolas públicas. Para além da percepção do colégio sobre as qualidades do menino agressor a instituição deveria ter feito as devidas notificações junto aos órgãos competentes: DPCA, Conselhos Tutelares ou Juizados de Menores. Tanto a lei federal quanto a estadual estão na WEB à disposição de todos, ricos e pobres. Basta cumpri-las.

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