sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pinus: a monocultura da vez.








A madeira branca que vemos jogada pelas ruas em forma de caixotes, movéis ou pallets chama-se pinus, a substituta do velho pinho, muito utilizado em obras na segunda metade do século XX. Tanto fizemos que o pinho praticamente desapareceu dando espaços, nos estados do sul, para a monocultura do pinus. Como essa madeira é muito barata o seu reaproveitamento é economicamente inviável. Ninguém quer perder tempo com uma madeira que não tem valor de mercado depois do primeiro uso. Montou-se, portanto, a farra do lucro fácil com consequências desastrosas para o meio ambiente.

Para que se tenha uma idéia, um hectare de terra no sul do Brasil não custa mais de mil reais. O mesmo terreno coberto de pequenas mudas de pinus tem o seu preço quadruplicado e em dez anos a mesma terra com as árvores já adultas e boas para corte pode valer até 10 vezes mais do que o seu preço imediatamente após o plantio. Um excelente negócio em tempos de inflação baixa e de baixa rentabilidade dos fundos de aplicação e cadernetas de poupança.

Pouco se fala sobre este assunto, porque o foco atual está sobre o plantio dos eucaliptos que consome uma boa parte das terras cultiváveis entre o sudeste e a parte baixa do nordeste brasileiro. As regiões sul e centro-oeste que já sofriam com o excessivo plantio de soja, começa agora a sentir as consequências de mais uma forma de lucro irresponsável e a médio prazo mais um elemento movivador do aparecimento de desertos frutos dos desmatamentos inerentes às monoculturas que abarcam grandes extensões de terra.

A questão do pinus torna-se mais grave por se tratar de um tipo de madeira com amplas formas de utilização: na construção civil, na industria de móveis baratos, na indústria de portas e divisórias e na confecção de forros para residências. Os fabricantes de defensivos e protetores de madeira estão criando novos produtos para que a garantia do pinus seja estendida até, pelo menos, 15 anos. Ampliando os espaços de aplicação crescem as plantações da bela árvore e também as áreas de desmatamento que vão fazendo do sul do Brasil um espaço de constantes tragédias produzidas por uma natureza que ainda não sabe castigar somente os culpados. A mais recente, em São Luiz do Paraitinga, teve como principal vilã a parede de eucaliptos que cerca a cidade.


Aparador feito com madeira recolhida de rios mortos


Tenho contado essa história aos meus alunos e procurado incentivá-los a prestar atenção na enorme quantidade de madeira que é deixada pelas ruas, todos os dias. Mais recentemente criei um espaço chamado Madeira de Rua para o armazenamento do que for possível e reaproveitável. Com essa madeira, fazemos os tabuleiros de jogos para as crianças de nossas escolas e móveis para aqueles que já aprenderam a lição de somente adquirir os que são feitos com madeiras reutilizadas. E tem muita gente empenhada neste tipo de fabricação. Para saber mais sobre esta proposta de trabalho acesse www.madeiraderua.com ou procure informações nos sites que vão nascendo tendo como principal meta a conscientização daqueles que apostam na obtenção de formas imediatas de lucro sem atentar para suas consequências.

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